Se você é um daqueles apaixonados por animais e deseja conversar com o seu bichinho
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Só por curiosidade, leia mais umas (50.000) palavrinhas sobre o assunto.
Nomenclatura e Classificacao dos Seres
Todos conhecemos os animais e as plantas por algum nome, que muda conforme a localidade, região
e/ou país onde se encontra a espécie. Se todos conhecessem uma mesma espécie (animal ou vegetal)
com nomes diferentes, e iniciassem uma conversa sobre ele, logo pensariam que estavam falando de
espécies muito parecidas, mas não da mesma espécie. De fato, esta confusão criada com os diferentes
nomes vulgares (nomes que utilizamos para chamar comumente as espécies) sempre foi um problema
na Biologia, qualquer que fosse o ramo de estudo e/ou pesquisa.
Em uma tentativa de universalizar os nomes de animais e plantas, já de há muito os cientistas
vinham procurando criar uma nomenclatura internacional para a designação dos seres vivos. No
primeiro livro de Zoologia publicado por um americano, Mark Catesby, por volta de 1740, houve
uma tentativa de "padronizar" o nome de um pássaro, o tordo americano, de tal forma que ele
pudesse ser conhecido em qualquer idioma, mas o nome dado ao pássaro era demasiado grande para
descrever uma ave tão pequena. Já em 1735, o sueco Karl von Linné, botânico e médico, conhecido
como Linneu, lançava seu livro "Systema Naturae", onde propunha regras para classificar e
denominar animais e plantas. Mas só na 10a edição do seu livro, já em 1758, foi que ele propôs
efetivamente uma forma de nomenclatura mais simples, em que cada organismo seria conhecido por
dois nomes apenas, seguidos e inseparáveis. Assim surgiu a nomenclatura binominal moderna.
As regras atuais para a denominação científica dos seres vivos, incluindo os animais já extintos,
foram firmadas com base na obra de Lineu, no I Congresso Internacional de Nomenclatura Científica,
em 1898, e revistas em 1927, em Budapeste, Hungria.
As principais regras são:
¤ Na designação científica, os nomes devem ser latinos de origem ou, então, latinizados.
¤ Em obras impressas, todo nome científico deve ser escrito em itálico (tipo de letra fina e
inclinada), diferente do corpo tipográfico usado no texto corrido. Em trabalhos manuscritos,
esses nomes devem ser grifados.
¤ Cada organismo deve ser reconhecido por uma designação binominal, onde o primeiro termo
identifica o seu gênero e o segundo, sua espécie. Mas considera-se erro grave o uso do nome da
espécie isoladamente, sem ser antecedido pelo nome do gênero.
¤ O nome relativo ao gênero deve ser um substantivo simples ou composto, escrito com inicial
maiúscula.
¤ O nome relativo à espécie deve ser um adjetivo escrito com inicial minúscula ( *salvo raríssimas
excessões: Nos casos de denominação específica em homenagem a pessoa célebre do próprio país onde
se vive, consente-se o uso da inicial maiúscula.).
¤ Em seguida ao nome do organismo é facultado colocar, por extenso ou abreviadamente, o nome do
autor que primeiro o descreveu e denominou, sem qualquer pontuação intermediária, seguindo-se
depois uma vírgula e a data em que foi publicado pela primeira vez ( *Não confundir o nome do
autor (mencionado após a espécie) com subespécie, uma vez que esta última é grafada com inicial
minúscula e é escrita com o tipo itálico, enquanto o nome do autor tem sempre inicial maiúscula
e não é grafado em itálico.).
¤ Conquanto a designação seja uninominal para gêneros e binominal para espécies, ela é trinominal
para subespécies.
¤ Em Zoologia, o nome da família é dado pela adição do sufixo -idae ao radical correspondente ao
nome do gênero-tipo. Para subfamília, o sufixo usado é -inae.
¤ Algumas regras de nomenclatura Botânica são independentes das regras de nomenclatura zoológica.
Os nomes de família, por exemplo, nunca têm para as plantas o sufixo -idae, mas quase sempre
levam a terminação -aceae.
¤ Lei da Prioridade: Se para um mesmo organismo forem dados nomes diferentes, por autores diversos,
prevalece a primeira denominação. A finalidade dessa regra é evitar que a mesma espécie seja
designada por diferentes nomes científicos, o que acarretaria confusão idêntica à que existe com
os nomes vulgares.
Observação: Em casos excepcionais, é permitida a substituição de um nome científico, mas para isso
adota-se uma notação especial, já convencionada, que indica tratar-se de espécime reclassificado.
Assim, quando um especialista muda a posição sistemática de um ser que anteriormente já recebera
denominação científica, e o coloca em outro gênero, a notação taxionômica correta deve assumir
uma das formas abaixo:
A) Menciona-se o nome antigo entre parênteses, depois do gênero e antes do nome específico.
B) Ou, então, menciona-se o nome do organismo já no novo gênero e, a seguir, entre parênteses,
o nome do primeiro autor e a data em que denominou aquele ser; só então, já fora dos parênteses,
coloca-se o nome do segundo autor e a data em que reclassificou o espécime.
Já a divisão dos seres vivos é feita de forma a agrupar seres semelhantes em grupos distintos
de outros. O estudo descritivo de todas as espécies de seres vivos e sua classificação dentro de
uma verdadeira hierarquia de grupamentos constitui a sistemática ou taxionomia. Até há algum
tempo atrás, distinguiam-se a sistemática zoológica, referente aos animais, e a sistemática
botânica, referente às plantas. Atualmente, a divisão dos seres assumiu um grau de complexidade
maior, possuindo cinco reinos.
Para um entendimento da funcionalidade das divisões taxionômicas dos seres, é necessário o
conhecimento de conceitos básicos, que estão inseridos em conjuntos, e cada conjunto está, por
sua vez, inserido em um conjunto maior e mais abrangente. Estes conceitos são, em ordem crescente:
» Espécie: é um grupamento de indivíduos com profundas semelhanças morfológicas e fisiológicas
entre si, mostrando grandes similaridades bioquímicas, e no cariótipo (quadro cromossomial de
células haplóides), com capacidade de se cruzarem naturalmente, originando descendentes férteis.
» Gênero: é o conjunto de espécies que apresentam semelhanças, embora não sejam idênticas.
» Família: é o conjunto de gêneros afins, isto é, muito próximos ou parecidos, embora possuam
diferenças mais significativas do que a divisão em gêneros.
» Ordem: é um grupamento de famílias que têm semelhanças.
» Classe: é a reunião de ordens que possuem fatores distintos de outras, mas comum às ordens
que a ela pertencem.
» Filo (Ramo): é a reunião de classes com características em comum, mesmo que muito distintas
entre si.
» Reino: é a maior das categorias taxionômicas, que reune filos com as características comuns
a todos, mesmo que existam diferenças enormes entre eles. Possui apenas cinco divisões:
Animalia (Metazoa), Vegetalia (Plantae), Fungi, Protistis e Monera.
A partir destes conjuntos, a ordem é:
Espécies < Gêneros < Famílias < Ordens < Classes < Filos (Ramos) < Reinos
Onde lê-se que as espécies estão inseridas nos gêneros, que estão inseridos nas famílias, que
estão inseridas nas ordens, que estão inseridas nas classes, que estão inseridas nos filos
(ramos), que por sua vez estão inseridos nos reinos.
E o homem, como é que se classifica?
Reino: Animal.
Filo: Cordados - em virtude da medula espinhal e do sistema nervoso.
Subfilo: Vertebrados - em razão da coluna vertebral, de segmentos ósseos e da estrutura esquelética.
Classe: Mamíferos - por ter sangue quente, pela prática em amamentar os filhos e pelos métodos de parição.
Subclasse: Eutérios - porque a criança se desenvolve no útero materno.
Infraclasse: Placentários - uma vez que o feto alimenta-se por meio da placenta.
Ordem: Primata.
Subordem: Antropóides (primatas, macacos e humanidade).
Infra-ordem: Catarríneos.
Superfamília: Homínida.
Família: Hominídea.
Gênero: Homo (homem, único sobrevivente).
Espécie: sapiens.
Variedade: sapiens sapiens.
Uma observação deve ser feita: os VÍRUS são classificados à parte, sendo considerados
seres sem reino. Isto acontece devido às características únicas que eles apresentam,
como a ausência de organização celular, ausência de metabolismo próprio para obter energia,
reprodução somente em organismo hospedeiro, entre outras. Mas eles possuem a faculdade de
sofrer mutação, a fim de adaptar-se ao meio onde se encontram.
Fontes:
"BIOLOGIA - Volume 3 : Seres Vivos-Evolução-Ecologia", SOARES, José Luis, 2ª Ed., Editora
Scipione, SP, 1993, pgs. 8-22.
http://pt.shvoong.com/social-sciences/anthropology/sociocultural-anthropology/historical-anthropology/1739316-classifica%C3%A7%C3%A3o-zool%C3%B3gica-homem/