Acredito que só se aprende realmente outro idioma se tivermos muita curiosidade sobre a cultura,
a história e o dia-a-dia das pessoas que falam esta língua regularmente.
É claro que dificilmente dá para falar este idioma com a perfeição que os nativos do país o
fazem, a não ser que lá passemos a morar.
Espero que as historinhas abaixo lhe motivem.
Se você conhece alguma história interessante que tenha relação com o assunto "idiomas",
envie-me um e-mail. Não esqueça de citar a fonte, se a informação for extraída de livro, revista,
jornal, enciclopédia, CD-ROM, etc.
Uma história contada por alguém que viajou ou veio de outro país também vale.
Em 29 de Fevereiro de 1938, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, o presidente
Getulio Vargas promulgou uma lei que proibia o ensino de outros idiomas no Brasil.
Junto com esta medida, proibiu também a divulgação de periódicos e material didático em outros idiomas, sem a prévia censura do estado.
É mole ?! Tudo isso por causa da pressão dos oposicionistas, que temiam que o Brasil se aliasse ao Eixo (manja "O Eixo", né !?). Nesta época,
milhares de japoneses imigravam para o Brasil, todos os anos.
Se esta lei ainda estivesse em vigor, este site seria ilegal. E o caro internauta seria um
contraventor. E eu estaria em apuros ! Creeeeedo !
(Livro : Corações Sujos, Ed. Companhia das Letras - Fernando Moraes)
Este livro fala sobre a imigração japonesa para o Brasil em tempo de guerra mundial. É um documento histórico recheado de informações
que não estão nos livros didáticos sobre a história do Brasil.
O Romeno Itic Mellé passou 10 anos preso num campo de concentração na Sibéria porque
em seu jornal disse algo que desagradou o governo Russo, que naquele tempo já dominava a região.
Quando chegou ao Brasil já falava 5 idiomas, mas como teve que aprendê-los na raça, por
necessidade, e não pelo simples prazer de fazê-lo, às vezes trocava as bolas. Achava, por exemplo,
que se a letra "o" era o indicador do gênero masculino, em português,
seria normal dizer "jornalisto" e "artisto".
Se tabagista é o usuário (viciado) do tabaco, deveríamos dizer pingista,
para o usuário (viciado) em pinga. Até que tem lógica, né?!
(Livro : Nada Mais que a Verdade, Ed. Carrenho Editorial - Celso de Campos Junior, Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima)
É um documento importantíssimo sobre parte da história do jornalismo brasileiro, que não pode deixar de ser lido.
Conta a vida do jornal Notícias Populares e de seu fundador, cujas manchetes bombásticas milhares de pessoas se acostumou a ler.
Você sabia que o termo GRINGO, que usamos indiscriminadamente e, até desrespeitosamente,
para nos referirmos a qualquer estrangeiro, surgiu durante a guerra que rolou entre EUA e México
(1846-1848) ?
À noite, do lado mexicano, ouvia-se os americanos cantando "Green grow the lilacs". Sacou ?!
Green grows ... (pronuncia-se GRIN GROUS).
(Livro : As Línguas do Mundo, Ed. Nova Fronteira - de Charles Berlitz.)
Charles Berlitz falava mais de 30 idiomas, além de atuar como paleontólogo. Escreveu livros interessantes
que ainda hoje podem ser encontrados em livrarias.
As Línguas do Mundo traz informações importantes para quem quer entender outros idiomas,
porque mostra que entre eles há mais similaridades do que parece à primeira vista.
Pensa que o purismo na Língua Portuguesa é coisa recente, de políticos que não têm assuntos
mais importantes para tratar ?
O personagem Policarpo Quaresma, do romance "O Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima
Barreto, já pregava que tínhamos influência demais em nosso idioma, principalmente oriundas do
francês. Propôs que o Brasil adotasse o Tupi como idioma oficial, pois o Português era uma língua
"emprestada" por nossos colonizadores.
Veja que bonita é a epígrafe (título ou frase que, colocada no início de um livro, um capítulo,
um poema etc., serve de tema ao assunto, resume o sentido ou situa a motivação da obra
- Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa) deste romance, retirada do vigésimo sexto capítulo
de "Marc-Aurèle ou la fin du monde antique", último volume da obra "As Origens do Cristianismo"
("Les origines du christianisme"), do escritor e pensador francês Ernest Renan. Renan parece
argumentar que os altos ideais, muito nobres, de pouco valem no mundo real, governado por
interesses e proveitos pessoais, o que nos prepara para o fracasso final de Policarpo Quaresma.
A epígrafe: "O grande inconveniente da vida real, e que a torna insuportável para o homem superior,
é que, se para ela são transportados os princípios do ideal, as qualidades se tornam defeitos,
tanto que muito freqüentemente aquele homem superior realiza e consegue bem menos do que aqueles
movidos pelo egoísmo e pela rotina vulgar".
(Livro : O triste fim de Policarpo Quaresma - de Lima Barreto)
Línguas Artificiais
É isso mesmo! Existem línguas criadas pelo homem em momentos especiais e por motivos mais
especiais ainda. Veja alguns exemplos:
Esperanto - criada pelo médico polonês Ludwik Lejzer Zamenhof, quando
ainda estava no curso ginasial.
A motivação de Zamenhof foi a confusão que vivenciava na cidade de Bialistok, Polonia,
onde conviviam pessoas de diversas nacionalidades.
O Esperanto utiliza radicais, prefixos e sufixos de vários idiomas, numa tentativa de fazê-lo
peculiar a falantes destas diversas línguas.
O primento manual, intitulado Lingvo Internacia, contendo 16 regras gramaticais, além de 900
radicais a partir dos quais se pode formar milhares de palavras, foi lançado em 26/07/1887,
na Rússia, quando ele estudava medicina. O alfabeto é composto por 5 vogais e 23 consoantes, das
quais 2 são, na realidade, semivogais.
Existem muitas publicações periódicas mundo afora redigidas originalmente em Esperanto. Programas
de rádio também são comuns em vários países.
Infelizmente, o movimento esperantista avançava a passos largos e seguros, mas com o evento das
duas guerras mundiais teve um recuo amedrontador: as tropas comandadas por Hitler perseguiam e
matavam os esperantistas na Alemanha e nos países que dominava; as tropas de Stalin faziam
o mesmo na Rússia; a família de Zamenhof foi dizimada; no Japão e na China, a perseguição ao
Esperanto também ganhou proporções assustadoras.
Felizmente, hoje se pode estudar Esperanto nas diversas associações existentes no Brasil e em
vários países. Pode-se até fazer curso pela internet.
O Esperanto é considerado um Idioma Universal, já que não pertence a nenhum país e não está,
portanto, associado a nenhuma cultura específica, apesar de hoje existirem muitos livros e
músicas escritos originalmente nesta língua.
Interlíngua - A interlíngua é uma língua auxiliar internacional baseada
na existência de um vasto vocabulário comum compartilhado por línguas de grande difusão mundial.
São palavras como: "abreviação", "abdicação", "abdução", "abjuração", "abolição", "abominação",
"aborígene", "absoluto", "absorção", "abstenção", "abstração", "acácia", etc.
Essas palavras geralmente são greco-romanas em sua origem, mas há palavras internacionais de
outras origens: "iglu", "quimono", "vodca", "jaguar", "vis-à-vis", "software", etc.
A interlíngua veio a público em 1951 pela International Auxiliary Language Association, após
mais de duas décadas de estudos lingüísticos, com a publicação das suas duas obras básicas que
são: Interlingua–English Dictionary, com 27.000 palavras, e Interlingua Grammar.
Uma palavra é adotada em interlíngua desde que ela seja comum a pelo menos 3 das 4 línguas
nacionais escolhidas como fonte: português/espanhol (tratados como um só), italiano, francês e
inglês; alemão e russo podem vir a ser considerados.
A forma da palavra é a forma do protótipo, isto é, a forma que deu origem às diferentes formas
das línguas nacionais. Assim, embora a palavra portuguesa "olho" possa ser bastante diferente do
espanhol "ojo", do italiano "occhio" e do francês "oeil", todas se originaram de uma forma latina
anterior "oculus", que sobrevive na composição de palavras internacionais como "oculista", "ocular",
etc. Portanto, olho em interlíngua é oculo (acentuado fonéticamente no primeiro "o").
Gramática - Eis alguns pontos que diferem entre a interlíngua e o português. Eles são poucos, mas que
fazem uma diferença enorme no tempo de aprendizado da língua.
Na Interlíngua, os verbos não têm conjugação por pessoa (io ama, tu ama, ille ama, nos ama, vos ama,
illes ama). Os verbos assumem apenas 7 formas: infinitivo (amar), presente/imperativo (ama),
passado (amava), futuro (amara, acentuado no último "a"), condicional (amarea, acentuado no "e"),
particípio passado (amate), particípio presente (amante). Assim, verbos "difíceis" em português,
como vir, ficam muito mais fáceis de aprender (apenas venir, veni, veniva, venira, venirea,
venita, veniente).
Os adjetivos também não se alteram, não importando se o substantivo que eles qualificam estão no
singular ou no plural (grande casa; grande casas), nem se ele é masculino, feminino ou neutro
(sem gênero). Exemplo: Petro es belle, Maria es belle, le casa es belle.
Tente entender este texto abaixo por conta própria antes de ler a tradução em português.
"Le 900 milliones de personas qui parla portugese, francese, espaniol, italiano, romaniano, etc.
e mesmo le parlatores de anglese comprende un texto technic in interlingua sin studio previe.
Illo tamben es relativemente intelligibile a eruditos parlatores de linguas germanic (germano,
per exemplo) e slave (como le russo)".
As 900 milhões de pessoas que falam português, francês, espanhol, italiano, romeno, etc. e até
mesmo os falantes de inglês compreendem um texto técnico em Interlíngua sem estudo prévio. Ela
também é relativamente inteligível a eruditos falantes de línguas germânicas (alemão, por exemplo)
e eslavas (como o russo).
Latino Sine Flexione - Foi criada em 1903 pelo professor Giuseppe Peano,
considerado o melhor matemático italiano de sua época, com o propósito de ser uma língua internacional
auxiliar.
Além de contribuir decisivamente na fundação da moderna lógica matemática, e para formação da
teoria dos conjuntos, Giuseppe Peano dedicou grande parte de sua vida no desenvolvimento da
Latino Sine Flexione.
O alfabeto é composto pelas seguintes letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q,
r, s, t, u, v, w, x, y, z, æ, oe
Números de 1 a 10: uno, duo, tres, quatuor, quinque, sex, septem, octo, novem, decem.
Veja algumas frases e suas traduções:
Da ad me cervisia. (Dê-me a cerveja).
Da ad me hoc cervisia. (Dê-me esta cerveja).
Da ad me illo cervisia. (Dê-me aquela cerveja).
Da ad me uno cervisia. (Dê-me uma cerveja).
Da ad me illo meo cervisia. (Dê-me a minha cerveja).
Da ad me uno meo cervisia. (Dê-me uma de minhas cervejas).
Cervisia es bono. (Cerveja é bom).
Hoc cervisia es bono. (Esta cerveja é boa).
Gostou?! Então, se você tem mais de 18 anos de idade, corra até a geladeira e pegue uma cerveja.
Vai! Vai logo!
NOVIAL - O Novial é uma língua artificial criada pelo Professor Otto
Jespersen, um lingüista dinamarquês que esteve envolvido na criação do Ido (Esperanto modificado).
Ele queria que o Novial fosse um língua auxiliar internacional (IAL-International Auxiliary
Language), daí o nome NOVIAL (Novi=Novo + IAL).
Seu vocabulário é baseado nas línguas Germânicas e Românicas, e sua gramática é influenciada pelo
inglês.
A primeira apresentação do Novial foi no livro "An International Language" de Jespersen em 1928,
com uma melhora
no seu dicionário, Novial Lexike, publicado dois anos depois. Outras modificações foram propostas
nos anos 1930, mas com a morte de seu inventor em 1943, a língua "adormeceu", só revivendo nos anos
1990, com o novo interesse em línguas artificiais causado pela Internet.
Volapuque - Foi apresentado em 1880 por Johann Martin Schleyer, um padre
católico de Baden, na Alemanha. Schleyer pensava que Deus lhe tinha dito, num sonho, para criar
uma língua internacional. Realizaram-se convenções de Volapuque em 1884, 1887 e 1889. As duas
primeiras usaram o alemão, mas a última usou apenas Volapuque, o que pode ter sido uma das
razões principais para o declínio da língua.
No alfabeto de volapuque constam as seguintes letras:
a, ä, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, ö, p, r, s, t, u, ü, v, x, y, z.
Não se utilizam as letras "q" nem "w".
O trema nunca é omitido, mesmo em letras maiúsculas.
As letras, ao contrário do português e do espanhol, nunca são mudas ou mudam de pronúncia
baseadas em sua posição na sílaba e a utilização de maiúsculas e minúsculas segue as principais
regras dos idiomas.
No Volapuque, todas as letras se pronunciam e não existem ditongos porque as
vogais se pronunciam separadamente. A sílaba tônica é sempre a última.
Solresol - É uma língua musical, desenvolvvida por François Sudre, entre
1817 e 1866. É bastante versátil em sua maneira de expressão, pois pode ser falada, cantada,
solfejada ou tocada num instrumento musical. Quanto à forma gráfica, as notas podem ser escritas
com os caracteres latinos, com notas musicais numa pauta musical de apenas 3 linhas, ou,
ainda, por meio de 7 símbolos especiais, parecidos com caracteres taquigráficos.
Klingon - Não deve ser muito difícil criar um idioma, pois Marc Okrand
respeitado filólogo (o Dicionário Aurélio explica que "Filólogo é a pessoa que estuda uma língua
em toda a sua amplitude, baseado nas evidências escritas que servem para documentá-la"), inventou
um só para os Klingons, alienígenas guerreiros sempre em conflito com os tripulantes da nave
interestelar Enterprise, da série "Jornada nas Estrelas" (Star Trek).
Existem cursos deste idioma, que uma legião de fãs devidamente paramentados, faz questão de utilizar
nas convenções anuais. É mole?!
Obs. - Este Marc Okrand era bom mesmo na criação de línguas artificiais pois, não bastasse ter
inventado o Klingon, inventou também o Vulcan, novamente para o mundo da Ficção Científica.
(Fonte de pesquisa sobre Línguas Artificiais: www.wikipedia.org)